domingo, 1 de março de 2026

PÊNIS / PAU: ADORO PAU MOLE - UM POEMA DE MARIA REZENDE

MARIA REZENDE


Poeta, performer, montadora de cinema e tv e celebrante de casamentos. Cozinha banquetes para pequenas multidões, pedala uma bicicleta florida, dança sem música em dias nublados e é a medrosa mais corajosa que conhece. Filha do cineasta Sérgio Rezende e da produtora Mariza Leão, há três anos escreve poesias, e declamadora há mais tantos, mas “Substantivo feminino” é a sua primeira publicação. E, apesar de admitir que “Pau mole” é o seu grande hit, não classifica sua obra como erótica. — Não concordo. É um livro de poemas. O livro, com prefácio de Elisa Lucinda, traz versos ousados, aborda o sexo de maneira clara (“meu pai fica constrangido”, confessa). Segue seu grande hit:


Adoro pau mole




Adoro pau mole.

Assim mesmo.

Não bebo mate

não gosto de água de coco

não ando de bicicleta

não vi ET

e a-d-o-r-o pau mole.



Adoro pau mole

pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.





Adoro pau mole

porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade

que eu prezo e quero, sempre.






Porque ele é ícone do pós-sexo

(que é intrínseca e automaticamente

- ainda que talvez um pouco antecipadamente)

sempre um pré-sexo também.





Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.






É dentro dele,

em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,



que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.






NOTA FINAL:

Se você gosta de pau mole (ou duro, não importa), ou melhor, se você gostou do poema da Maria Rezende, procure mais sobre ela nestes endereços:



















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