quinta-feira, 17 de setembro de 2026

MASTURBAÇÃO FEMININA: A OITAVA SINFONIA DE MAHLER, DE PHILIP ROTH

A OITAVA SINFONIA DE MAHLER

(Apollonia Sainclair)

Enquanto dirige para casa, com as relíquias do irmão há muito tempo morto na Segunda Gerra Mundial, Sabbath, o titereiro lúbrico de Philip Roth, imagina sua mulher se masturbando, em casa. Uma página de delírio erótico de um dos maiores escritores do mundo, que termina com a sinfonia de Mahler. Leia e delicie-se. 

(Mainara)

De roupão, lendo aquela merda. Sabbath a imagina, o roupão meio aberto, segurando o livro com a mão direita enquanto se masturbava preguiçosamente com a esquerda. Ambidestra, mas por acaso se sente mais confortável se masturbando com a esquerda. Lendo e nem sequer consciente, por certo tempo, de que ia começar a gozar. Meio distraída pela leitura. Tende a gostar de uma peça de roupa entre a mão e a xoxota. Camisola, roupão – esta noite, a calcinha.



O tecido a deixa com tesão; por que motivo, é coisa de que ela não tem a menor ideia. Utiliza os três dedos: os dedos exteriores nos lábios, o dedo médio pressionando o botão. Movimento circular dos dedos e, logo, a pélvis também num movimento circular. O dedo médio no botão – não a ponta do dedo, a parte arredondada. Primeiro, uma pressão muito leve. Sabe automaticamente, é claro, onde se acha o botão.


Depois uma breve pausa, porque ela ainda está lendo. Não tem mais certeza de que quer continuar a ler. A pressão da parte arredondada dos dois dedos em torno do botão. À medida que vai ficando mais excitada, a parte arredondada do dedo se coloca diretamente sobre o botão, embora a sensação de algum modo se espalhe para os outros dedos. Por fim, põe o livro no chão. De forma intermitente, seus dedos se imobilizam enquanto sua pélvis executa o movimento. Depois voltam para o botão, girando e girando, a outra mão no peito, nos mamilos, apertando. Ela agora resolveu que não vai mais ler por um tempo. Baixa a mão direita do peito e esfrega tudo com força, usando as suas mãos, ainda por fora do tecido. Depois, três dedos, ali onde está o botão. Sempre sabe exatamente onde fica, o que é mais do que posso dizer a meu respeito.


Há quase cinquenta anos no ramo e até hoje a porra do troço está ali e depois aqui e depois sumiu e posso passar meio minuto procurando por todo lado antes que as mãos da mulher delicadamente me recoloquem na posição certa. “Aqui! Não, aqui! Bem aqui! Sim! Sim!”E agora ela estica bem as pernas, um gato se espreguiçando, e suas mãos apertam com força bem entre as coxas. Espremendo. Consegue um pré-gozo desse jeito, um forshpeis (*), apertando a xoxota inteira com toda a força, e agora resolveu: não quer mais parar. Às vezes ela faz isso através da roupa, até o final; esta noite, quer os seus dedos na parte interna dos lábios vaginais e empurra a calcinha para o lado. Agora, indo para cima e para baixo, direto para cima e direto para baixo, não mais um movimento circular. E mais rápido, se movendo muito mais rápido. Em seguida, usando a outra mão, ela introduz o dedo médio (é também um elegante dedo comprido) na xoxota. Mexe bem depressa com ele, até que sente as primeiras convulsões premonitórias.


Agora, mexe as pernas para cima, abre as pernas enquanto dobra os joelhos e junta os pés, de sorte que, quase embaixo de suas nádegas, os dedões ficam tocando um no outro. Se abre toda até em cima.


Agora, totalmente aberta. E o contato constante de dois dedos com o clitóris, e dedo médio e o anelar. Para cima e para baixo. Retesando-se. As nádegas agora para cima, se levantando em suas pernas dobradas. Agora ela reduz o ritmo um pouco. Estica as pernas a fim de desacelerar, levando tudo quase a uma pausa. Quase. E então dobra as pernas de novo para cima. Essa é a posição em que deseja gozar.


Aqui começam os balbucios. “Posso? Posso?”O tempo todo em que ela fica resolvendo quando, não para de murmurar em voz alta: “Posso? Posso? Posso gozar?”A quem ela pergunta? O homem imaginário. Homens. Todos eles, um deles, o líder, o mascarado, o menino, o preto, talvez perguntando a si mesma ou a seu pai, ou perguntando para ninguém. As palavras sozinhas são o bastante, o começo. “Posso? Posso gozar? Por favor, já posso?”


E agora ela mantém a pressão constante, agora um pouco mais forte, aumentando a pressão, a pressão constante, é bem aí, e agora ela sente, ela sente, agora ela precisa se soltar. – “Posso? Posso? Por favor!”– e ali estão os ruídos, senhoras e senhores, os ruídos que podiam perfeitamente servir como impressões digitais para individualizar o sexo inteiro para o FBI – ohh, hmmmmm, ahhh – porque agora ela começou, está gozando, e a pressão é mais forte mas não extremamente forte, não tão forte que machuque, dois dedos para cima e para baixo, uma pressão ampla, ela deseja uma pressão ampla porque quer gozar de novo, e agora a sensação vai se movendo para baixo, rumo à boceta, e ela coloca o dedo lá dentro, e agora reflete que gostaria de ter um pênis artificial ali, mas está com o seu dedo ali, e é ISSO!


E agora ela sobe e desce com o dedo como se alguém a estivesse fodendo e deliberadamente retesa a boceta a fim de intensificar a sensação, estreita bastante para proporcionar a si mesma uma sensação mais forte, sobe e desce, e o tempo todo mexendo com o clitóris. O que ela sente muda quando introduz o dedo na boceta – no botão é bem preciso, mas com o dedo enfiado na boceta a sensação fica distribuída e é isso que ele a quer: a distribuição da sensação. Embora não seja fácil coordenar fisicamente as duas mãos, com suprema concentração ela trabalha a fim de superar a dificuldade. E consegue. Ohhhh. Ohhhh. Ohhhhh.


E depois fica ali deitada e arqueja por um tempo, e depois pega o livro do chão e recomeça a leitura e, no conjunto, há muito aqui a ser comparado com Bernstein regendo a oitava sinfonia de Mahler.”



(*) Em iídiche, forshpeis, aperitivo. (N.T.)



Philip Roth, O Teatro de Sabath; tadução de Rubens Figueiredo.






domingo, 30 de agosto de 2026

FOTOGRAFIA DE UMA FEMINISTA NUA

 SIMONE DE BEAUVOIR NUA: UMA FOTO CONTROVERSA



Simone de Beauvoir, ícone da causa feminina e defensora das mulheres e de sua liberdade, ganhou destaque não apenas por seus escritos e posicionamentos, mas também por uma foto muito conhecida — e bastante controversa, tanto na época quanto hoje em dia.

Essa foto, tirada em 1952 pelo fotógrafo Art Shay, gerou uma polêmica intensa no início de janeiro de 2008, quando a revista *Le Nouvel Observateur* a estampou em sua capa, sendo ao mesmo tempo "acusada" de tê-la retocado. Para esclarecer a questão, o próprio artista foi consultado. Foi uma oportunidade de saber um pouco mais sobre uma das fotos mais famosas de sua época...

Art Shay conta a história. Foi Nelson Algren, amante de Simone de Beauvoir, quem lhe pediu que encontrasse um chuveiro para "Madame" (como Algren a chamava). Uma amiga do fotógrafo gentilmente cedeu seu banheiro para a escritora. Shay esclarece: "É preciso entender que, para mim, Madame não era uma 'instituição' naquela época, mas sim a amante estrangeira de um amigo... Eu estava lá, como estagiário da revista *Life*, quando vi Beauvoir saindo do banho e arrumando o cabelo diante do espelho. Tirei rapidamente duas ou três fotos, e ela ouviu o clique. 'Você é um menino levado', disse ela, sem fechar a porta nem pedir que eu parasse de fotografar".




Art Shay conta também que se esqueceu de enviar uma cópia da foto para Simone de Beauvoir. Quanto a Algren, parece que ele nem sequer sabia da existência dessas imagens. Mas Shay conclui a história dizendo que tudo isso não tinha a menor importância, já que ele não pretendia vendê-las. Na década de 1950, esse tipo de foto não tinha "nenhum valor comercial". O fotógrafo brinca com as palavras quando lhe dizem que as feministas o acusam de ter "roubado" essas fotos. "No sentido estrito, sim", reconhece Art Shay sem rodeios. Mas será que o ícone das feministas também não fez uso do próprio corpo quando essas fotos foram tiradas? Segundo Shay, será que de Beauvoir não permitiu que isso acontecesse como um ato de provocação? Ou, mais simplesmente, na aceitação pura e simples de sua nudez como mulher livre? Vista em seu contexto, a história dessa foto não demonstra (evidentemente?) que as feministas, às vezes (muitas vezes), se exaltam um pouco rápido demais...?




sábado, 22 de agosto de 2026

FETICHE: SEXO A TRÊS / MÉNAGE À TROIS - COMO REALIZAR ESSA FANTASIA SEXUAL

SEXO A TRÊS: 
TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE UM MÉNAGE


O ménage à trois é uma das fantasias sexuais mais comuns entre casais e solteiros. Homens e mulheres já imaginaram, em algum momento, a experiência de dividir a cama com uma terceira pessoa. Hoje, realizar esse desejo está mais acessível do que nunca: existem até aplicativos criados especialmente para quem busca viver um trio.


Mas atenção: por trás de toda a diversão, essa prática pode ser prazerosa e inesquecível — ou se tornar uma experiência frustrante se não houver diálogo e preparo.

Neste guia completo, vamos explicar o que é o ménage, como conversar com o parceiro sobre o assunto, quais cuidados tomar e dicas para tornar o encontro realmente satisfatório.

O que é Ménage à Trois?



O termo francês ménage à trois significa literalmente “casa de três” e é usado para descrever a relação sexual entre três pessoas. As combinações podem variar:

MMF: dois homens e uma mulher, 
com interação sexual entre os homens.

FFM: duas mulheres e um homem, 
com interação sexual entre as mulheres.

MFM: dois homens e uma mulher, 
sem interação entre os homens.

FMF: duas mulheres e um homem, 
sem interação entre as mulheres.

MMM: três homens.

FFF: três mulheres.

Independentemente da formação, o que realmente importa é que todos estejam à vontade e tenham desejo de participar.


A importância do diálogo antes do ménage


O diálogo é a base de uma boa experiência. Parece óbvio, mas muitos casais deixam essa etapa de lado e acabam enfrentando frustrações.


Consentimento: todos os envolvidos precisam realmente querer participar.


Limites: estabeleçam o que pode ou não acontecer durante a relação.


Expectativas: conversem sobre o que dá prazer, o que incomoda e como será a dinâmica.


Lembre-se: o ménage não é apenas sobre sexo, mas também sobre respeito e confiança.


Como falar sobre ménage com o parceiro


Se o tema nunca surgiu entre vocês, introduza a conversa de forma natural:



  • Pergunte se ele ou ela já pensou em sexo a três.
  • Compartilhe sua fantasia com sinceridade.
  • Descubram juntos o que pode ser excitante ou desconfortável.
  • A chave é ter uma conversa aberta e sem julgamentos.


Dicas para um ménage sem frustrações


  • Local ideal: motéis são a melhor escolha, oferecendo privacidade e conforto.
  • Proteção sempre: a cada troca de parceiro, use camisinha nova.
  • Brinquedos sexuais: ajudam a deixar todos envolvidos.
  • Variedade: revezem posições e papéis para que todos sintam prazer.
  • Clima leve: acidentes acontecem — rir junto ajuda a quebrar qualquer tensão.


Combinações pós-sexo: definam antes se o convidado ficará, se todos dormirão juntos ou se cada um seguirá seu caminho.

Ménage não salva relacionamentos


É importante reforçar: sexo a três não é solução para crises conjugais. Pelo contrário, pode intensificar inseguranças e sentimentos de rejeição.


Para que funcione, é essencial que o casal esteja em sintonia, com diálogo aberto e maturidade emocional.

Conclusão


O ménage à trois pode ser uma fantasia excitante e uma experiência única, mas deve ser vivido com diálogo, respeito e cuidado. O prazer só será completo se todos os envolvidos se sentirem confortáveis.


Se a ideia te instiga, converse com seu parceiro, alinhem expectativas e busquem um ambiente seguro e prazeroso — afinal, um trio pode ser inesquecível, desde que seja bem combinado.




Fonte:


setembro 15, 2025 

MASTURBAÇÃO FEMININA: A OITAVA SINFONIA DE MAHLER, DE PHILIP ROTH

A OITAVA SINFONIA DE MAHLER (Apollonia Sainclair) Enquanto dirige para casa, com as relíquias do irmão há muito tempo morto na Segunda Gerra...