quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A FELAÇÃO, ATO DE REBELDIA, DE AGNÈS GIARD:


Se alguma criatura  ainda tenha dúvidas sobre o sexo oral, mais especificamente o boquete, ou sejamos mais explícitos: se alguma mulher ainda relute em dar uma boa chupada no pau de seu companheiro, que leia o texto abaixo dessa pesquisadora e escritora francesa, radicada no Japão, Agnès Giard:


A FELAÇÃO, ATO DE REBELDIA


Pode parecer paradoxal reivindicar a felação como uma forma de liberação feminina. Contudo, Lilith chupava. A acreditar em Primo Levi, ela é a primeira mulher da Criação. Fazia amor com a boca. Até o dia em que.... Eva chegou.


Existe, na tradição judaico-cristã, duas histórias muito diferentes da criação. Na primeira, Deus criara a mulher e o homem iguais. Lilith saía do mesmo barro que Adão. Mas como Deus não tinha muita argila, ele colocou o sexo de Lilith em seu rosto, o útero ocupando o lugar do cérebro. Lilith – símbolo do prazer sexual total – gozava, então, pela boca. 



Quando ela fugiu, por recusar-se a submeter-se ao homem, Deus criou a Eva, pálido rascunho de Adão, para lhe obedecer fielmente. Enquanto Eva inaugurava a era da mulher dona de casa, Lilith ficava livre, estéril, sedenta de desejo, atormentada por uma fome permanente. É a mulher de eras passadas.




“Diz-se que ela ama o esperma dos homens”, explica Primo Levi. “ De todo o esperma que escapa ao único destino aceito - a relação conjugal – ela se apossa: de tudo aquilo que cada homem desperdiçou em sua vida, em sonho ou pelo vício”... Liliht, a loba viciada, recolhe o esperma do mundo com apetite de um demônio. Como os súcubos, ela vem à noite visitar os homens para chupá-los durante o sono. 


Vampira noturna, Lilith encarna o poder do desejo levado ao paroxismo: ela faz amor com a língua, com a cavidade sagrada da palavra, transformando o ato sexual passivo em ato de criação. Porque, nela, o esperma não dá origem a crianças de carne e osso. Ele fecunda seu cérebro e não seu ventre.




Lilith provoca medo: ela faz amor de uma forma mística, recebendo o falo como uma hóstia, de joelhos, diante do fetiche que ela beija, cheia de graça... há qualquer coisa de escandaloso nesse prazer antinatural. Porque Lilith consegue, ao adorar o sexo viril, trocar os papéis: é o homem que se abandona entre seus lábios, e não a mulher que se submete. 




É a mulher que toma o controle e o homem se torna seu alimento. Espiritual, claro. Mas que não impede esta ambiguidade: para muitos homens, a felação permanece como uma ameaça associada à “vagina dentada”.


Para eles, a única maneira de superar essa angústia da castração consiste em fazer de Lilith um “buraco” onde descarregar toda a agressividade revanchista. Resumos de vídeos pornôs ilustram bem esse estado de espírito: “Pela primeira vez em sua vida, uma bela loira se faz encher-se de esperma por todos os buracos. Essa vadia completamente descontrolada sufocará ao engolir o esperma de uma dezena de cacetes” (Poder X2). “Eles a forçam a chupá-los para transformá-la em receptáculo. Seu corpo e sua boca servem de pano de chão para absorver a porra” (Gang-bang e sodomia para uma puta). 



Resumos reveladores: “Sob a lupa de aumento da pornografia, explique Claude Guillon, autor do livro O Centro da Alma, a mulher deve ser submissa, humilhada e ficar satisfeita de o ser, mas isso não é suficiente. O voyeur-violador deseja que a prostituta ame a abjeção que ele lhe impõe: esse seu postulado é de uma incontestável ajuda emocional para superar a vergonha de suas fraquezas”.


Apesar disso, ainda que reduzida ao silencio, a felatriz pode tornar-se sublime: não se preocupando nem com o orgulho, nem com a moral, ela supera o velho problema da violência e do sacrifício.


É a mutante ideal do romance de Alina Reyes que lhe consagra – sob o brilhante título de Lilith – sua pena mais ardente e excitante. Lilith é um romance de ficção científica apocalíptico: uma mulher do futuro retorna aos tempos primitivos. Ela se torna uma “devoradora” de homens, nossa nova mãe. Lilith reencarnada, para que, finalmente, nós possamos chupar sem nos aviltar.

(Foto de Peter Hegre: Flora and Alex) 


Agnès Giard

Journaliste spécialisée dans les contre-cultures, le Japon et l’art déviant, correspondante pendant neuf ans de la revue japonaise S & M Sniper, je suis l’auteur du livre d’art Fetish Mode (éd. Wailea, Tokyo, 2003), (éd. Cherche-Midi, Paris 2004), L'Imaginaire érotique au Japon (éd. Albin Michel, Paris 2006), le Dictionnaire de l'Amour et du Plaisir au Japon (éd. Glénat, 2008), et Les Objets du désir au Japon (éd. Glénat, 2009).

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

FANTASIAS SEXUAIS DAS MULHERES

 

Primeiro, deixemos bem claro o que é fetichismo e o que é fantasia. Fetichismo é uma parafilia sexual pela qual a pessoa só consegue o prazer sexual quando foca um objeto (lingerie, sapatos etc.) ou uma região do corpo como os pés por exemplo. O fetichista é dependente de seu fetiche e não consegue se satisfazer completamente se não obtiver o objeto de seu desejo.


Já a fantasia sexual é algo que as pessoas desejam realizar, fora do lugar comum; algo que ela sonha ou imagina que lhe daria prazer, além do dia a dia ou das situações comuns de intimidade com seu parceiro ou parceira. Realizada a fantasia, ela se esvai por si mesma, e raramente se repete. Não realizada, é apenas uma leve frustração, que não impede a satisfação sexual.


Todos temos fantasias sexuais, realizadas ou não, com características fetichistas ou não. E as mulheres, ao contrário do que muitos homens ainda possam pensar, também sonham ou imaginam fugas do lugar comum, sonham com situações estranhas ou extremas, ou simplesmente diferentes. Vamos, pois, abordar algumas dessas fantasias. Uma viagem instigante, intrigante e deliciosamente erótica. Divirta-se. Só uma observação: a ordem das fantasias não indicam maior ou menor preferência, é uma ordem aleatória, como aleatórios são nossos sonhos:

Transar com dois homens ao mesmo tempo:



Assim como muitos homens sonham com o sexo com mais de uma parceira ao mesmo tempo, muitas mulheres também gostariam de experimentar serem desejadas e disputadas por dois parceiros, com ou sem dupla penetração.

Experimentar jogos sexuais violentos



Essa uma fantasia que se popularizou depois do sucesso do livro e do filme 50 Tons de Cinza. Ser dominada na cama, amarrada, amordaçada, levar tapas ou chicotadas não têm nada a ver com a parafilia sado-masoquista, que tem praticantes e regras próprias. Realizar tal fantasia não é difícil, mas exige que se tomem cuidados especiais, para que não ocorram acidentes desagradáveis, que podem transtornar uma noite de amor. Por isso, os parceiros que resolverem experimentar algo desse tipo devem ler algumas matérias especializadas, discutir os limites e estabelecer códigos de interrupção da prática, assim que um deles se sentir incomodado.

Transar em lugares públicos:



Parques, jardins (até o pequeno jardim em frente à casa), na rua, num bar ou em elevadores, ou seja, em lugares em que haja o risco de o casal ser surpreendido, com a adrenalina dessa possibilidade incrementando o tesão.

Penetrar o parceiro/companheiro:




Usar um pênis artificial para penetrar o parceiro e vê-lo gozar com essa experiência.

Representação de personagens:






Dançarinas, enfermeira, adolescente, freiras etc., para apimentar uma relação.

Ver o parceiro fazer sexo oral em outro homem



Uma fantasia que depende e muito da fantasia do parceiro; afinal, muitos homens, mesmo não sendo gays, gostariam de provar o pau de outro homem e, se essa fantasia também for a da mulher, é só reunir duas numa só, ao satisfazer a fantasia dela de transar com dois homens ou fazer um ménage a trois.

Transar com o professor


Transar com um professor na sala de aula vazia, correndo o risco de alguém entrar, o que aumentaria a adrenalina da experiência e o tesão do ato.

Transar com um cara que tivesse o pênis gigantesco




Essa uma fantasia mais ou menos recorrente que, ao mesmo tempo provoca arrepios e um tanto de medo; um pau grande é sempre motivo de desejo, admiração, mas também de temor pelo que pode causar de incômodo, mas aí entra um pouco do velho e conhecido sado-masoquismo, para apimentar o tesão. E essa fantasia pode se associar a uma outra que muitas mulheres brancas têm: a de transar com homens negros, que têm a fama de possuírem pênis maiores.

Troca de casais:





O swing é uma fantasia também recorrente e, para isso, povoa a imaginação a existência de casas de swing, onde tudo pode acontecer, e várias fantasias serem realizadas ao mesmo tempo, como trepar em público ou diante de outras pessoas, ser possuída por outro homem com o parceiro assistindo, assistir ao parceiro trepar com outras pessoas etc.



sexta-feira, 16 de outubro de 2026

BUNDAS, SEMPRE BEM-VINDAS E ADMIRADAS

 


(Druuna, de Serpieri)

Bunda todos temos. Mas não é porque as temos que são todas dignas de admiração, são todas belas. Aliás, o que é uma bunda bonita, uma bunda perfeita? Se as há de todos os formatos, de todos os tamanhos, como chegar a um conceito de beleza para a óbvia enorme quantidade de bundas existentes na humanidade? Ora, sabemos todos, também, que beleza – que é fundamental, como já dizia o poeta – é um conceito subjetivo. Será, talvez, sempre mais bela a bunda do homem amado ou da mulher amada, pelo simples critério de que são amados e, com certeza, também nos amam. Não julguemos, ou melhor, julguemos sim, pela nossa subjetividade, e deixemos rolar nosso tesão por aquele formato especial ou por aquele jeito de nos “encarar”, como se nos dissesse a bunda que escolhemos que será ela a preencher nossos desejos e nossos anseios estéticos e, por que não?, eróticos. E levantemos mais uma questão: que os homens gostem de bundas – de mulheres e de homens – parece isso uma questão indiscutível; mas que as mulheres também gostem das bundas masculinas, é algo que foge um pouco à nossa compreensão, embora tal fato seja bastante apreciável. O que leva ao velho e batido conceito de que a bunda é uma “preferência nacional” indiscutivelmente. Por tudo isso, aí está uma coleção de bundas, para você escolher a sua preferida – ou as preferidas ou, ainda, o que é bem melhor, para você apreciar a todas. O critério para a escolha das fotos foi que deviam estar todas nuas, completamente nuas, fotografadas “frontalmente” (já que não há uma palavra para designar a fotografia “por trás”), em pose o mais natural possível, isto é, sem agachamentos ou arrebitamentos que as tornassem artificialmente mais atraentes (embora nada contra artifícios). Repito: escolham as preferidas, ou melhor, fiquem com todas. E divirtam-se.
















































A FELAÇÃO, ATO DE REBELDIA, DE AGNÈS GIARD:

Se alguma criatura  ainda tenha dúvidas sobre o sexo oral, mais especificamente o boquete, ou sejamos mais explícitos: se alguma mulher aind...