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segunda-feira, 15 de junho de 2026

POEMA ERÓTICO: MOCINHAS GRÁCEIS, DE NATÁLIA CORREIA

 

Mocinhas gráceis, fungíveis

Mimosas de carne aérea

Que pela erecção dos centauros

Trepais como doida hera!




Por ardentes urdiduras

De Afrodite que abonais

Passais como queimaduras

E tudo em fogo deixais.



Ofegar de onda retida

Na ocupação epidérmica

De serdes a exactidão

Florida da primavera,



Todas de luz invadidas,

Sois, porém, as irreais

Bonecas de sol sumidas

No fulgor com que alumbrais.




Lá no fundo dos desejos

Chegais macias e quentes

Com violas nos cabelos,

Nas ancas, quartos crescentes;





Nas pernas, esguios confeitos,

Na frescura o vermelhão

De uma alvorada que rompe

Em seios de requeijão.




Enleais, mas de enleadas,

Ó volúveis, ó felinas!

Saltais fazendo tinir

Risadas de turmalinas;




E com as asas do segredo

Que vos faz misteriosas

– Pois sendo divinas, sois

Do breve povo das rosas –,



Adejais de beijo em beijo

Já que para gerar assombros

Vicejam as folhas verdes

Que vos farfalham nos ombros.




Ó doçaria que em línguas

Acres sois torrões de mel,

Quando idoneamente ninfas

Vos vestis da vossa pele!





Se a olhares venéreos furtar-vos

Em roupas não vale a pena,

Pois mesmo vestidas estais

Nuinhas de graça plena,




De esbelta nudez plantai

Róseos calcanhares nos dias

Fugazes, não vá Vulcano

Levar-vos para sombras frias;




Não sequem os anos corpinhos

De aragem que os deuses sopram,

Que os anos são os malignos

Sinos que pela morte dobram.




Mocinhas fúteis que sois

Da vida as espumas altas

Leves de não vos pesar

O peso de terdes almas;



Que essa força de encantar,

Ó belas! cria, não pensa.

Ser perdidamente corpo

É a vossa transparência.




POEMA ERÓTICO: MOCINHAS GRÁCEIS, DE NATÁLIA CORREIA

  Mocinhas gráceis, fungíveis Mimosas de carne aérea Que pela erecção dos centauros Trepais como doida hera! Por ardentes urdiduras De Afrod...